"Em busca da perfeição" - ISO 9001.
Durante a Segunda Grande Guerra Mundial, a Inglaterra foi duramente bombardeada.
Ainda não havia sinal de que os conflitos iriam chegar ao fim e a construção de aviões não podia ser
interrompida. Como alternativa, o país transferiu a produção para os Estados Unidos. Mas chegando lá se
deparou com um outro "conflito". Dimensões, equipamentos e tecnologias eram diferentes.
Surgiu então a necessidade de criar um organismo apolítico que visasse a padronização de mercadorias,
com o objetivo de facilitar o comércio, sem perder a qualidade. Incentivados pela ONU - Organização
as Nações Unidas - vinte e seis países incluindo o Brasil, criaram a ISO - International Organization for
Standardization -, com sede na Suíça. Atualmente, 141 países são integrantes da organização.
Na sua estrutura, comitês, técnicos e grupos de trabalho elaboram normas em diferentes segmentos -
de indústrias a hotéis -, exceto nas áreas de eletroeletrônica e de telecomunicações. Cada país tem um
representante, uma entidade de normalização reconhecida no local. No Brasil, a ABNT - Associação
Brasileira de Normas Técnicas - é a responsável por defender as regras que estejam de acordo com
nossa realidade.
A sigla ISO faz referência à mesma palavra grega, que significa qualidade. A instituição estabelece
que os processos de produção de bens e serviços atendam os níveis de qualidade exigidos pelos países
integrantes. Para chegar a este objetivo, criou a série ISO 9000, que trata de Sistema de Gestão da
Qualidade nas empresas. A série era constituída de cinco normas, que foram revisadas e resumidas.
A primeira ISO 9000, ainda em vigor, dá a direção para o processo de escolha, aplicação e interpretação
das outras normas. A ISO 9001, a mais completa, estabelece o conjunto de ações preventivas para garantir
a qualidade de um produto após as fases de projeto, desenvolvimento, produção, instalação e de serviços.
A ISO 9002 é quase igual à anterior, com exceção do controle de projeto. A ISO 9003 prevê questões
preventivas após inspeção e ensaios finais. Era a mais simples de todas. Como se preocupava apenas com a
inspeção final foi pouco adotada. E, por fim, a ISO 9004 determina quais normas as empresas devem adotar,
de acordo com seu produto.
Em 1994 acontece uma revisão de todos os textos e uma nova versão é emitida.
Em 2000, outra releitura, que deixa para o mercado três opções de normas. Aqui, a ISO enxuga a estrutura.
Permanece a ISO 9000, com a mesma idéia de introdução e definições. As ISO 9002 e 9003 deixam de existir,
sendo assimiladas pela 9001, e permanece a 9004, ganhando status de diretriz para melhoria do próprio
sistema.
Teoricamente, todas as normas podem ser traduzidas e adaptadas às condições típicas de cada país dentro do contexto de globalização.
As brasileiras são identificadas pela sigla NBR. A ISO possui 13 mil normas. Desde número, o Brasil adaptou 250.
Agradar o cliente, melhorar a competitividade no mercado mundial e reduzir os custos são os principais benefícios que
o empresário adquire obtendo a ISO 9001. Mas antes disto terá que alterar a estrutura de sua empresa e pensar antes
mesmo em seus funcionários do que nele próprio. Primeiro é necessário que a alta direção - conselho diretor, diretoria,
presidência - queira que os requisitos sejam cumpridos.
Como a certificação é voluntária, pode ser que alguém decida deixar
para amanhã. O segundo problema é a área de Recursos Humanos. O RH era limitado na questão treinamento. Agora, o departamento
terá de expandir o conceito, treinar o pessoal e melhorar a infra-estrutura para motivá-los se quiser que eles se engajem na causa,
como se fosse o seu próprio empreendimento.
Fonte: Revista Lumiére Ano 4 Novembro/2001